Com salto de 208% no Ebitda, MadeiraMadeira dribla retração do setor e quer expansão

Redação

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Após superar as expectativas de crescimento em 2025, a MadeiraMadeira, ecossistema focado em produtos e serviços para o lar, atingiu sua maturidade financeira e desenha um plano agressivo para os próximos anos. Enquanto o setor de fabricação de móveis com predominância de madeira registrou uma contração de 7,8% no último ano, a companhia obteve um aumento de 21% em sua receita bruta e viu seu EBITDA dar um salto expressivo de 208% na comparação com 2024.

Com a melhora dos indicadores econômicos, a companhia retomou seu target histórico e projeta uma expansão anual entre 20% e 30% para os próximos cinco anos. O cenário macroeconômico atual, impulsionado pela desaceleração da inflação, menor taxa de desemprego e o aumento da renda disponível (beneficiado pela isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil), abre uma nova janela de oportunidades para o consumo.

Em entrevista ao InfoMoney, Daniel Scandian, cofundador e CEO da empresa, atribui o descolamento do resto do setor ao modelo de negócio asset light – em vez de arcar com os custos de grandes estoques próprios, a empresa opera integrada a mais de 700 fornecedores. Cerca de 80% do portfólio tem disponibilidade imediata (“estoque D+1”), e mais da metade desse volume é dedicado exclusivamente à MadeiraMadeira dentro das próprias indústrias parceiras.

“Isso nos permite reduzir os impactos nas crises e ter maior direcionamento de capital para investimentos em logística, tecnologia, área comercial, além de serviços”, explica Scandian.

Atualmente, a companhia concentra quase 30% de todo o mercado online de móveis no Brasil, canal que representa 90% de suas vendas.

Daniel Scandian, cofundador e CEO da MadeiraMadeira. (Foto: Divulgação / Gabriel Reis)

A ‘ressaca’ pós-pandemia e a retomada 

Os resultados de 2025 marcam a consolidação da recuperação da empresa após o forte baque macroeconômico recente. Durante a pandemia, o setor viveu um pico de demanda. “No início, a gente teve 15 dias em que todo o mercado parou e ninguém sabia o que ia acontecer. Mas acabamos crescendo muito mais porque as pessoas compravam tudo online. Em 2020 foi o ano que mais ganhamos market share, crescemos 120%”, relembra o CEO.

Dados da Produção Industrial (PIM) do IBGE confirmam a oscilação do mercado: após retrações em 2019 e 2020, o setor de móveis de madeira expandiu 12,7% no acumulado de janeiro de 2020 até janeiro de 2021. Contudo, os bons ventos logo mudaram. A “ressaca” no consumo — com a antecipação de compras das famílias —, somada aos estoques elevados da indústria, inflação acumulada de mais de 20% nos últimos quatro anos e alta taxa de juros, freou o mercado.

“Em 2022 e 2023 tivemos o momento mais difícil. Foi a época em que crescemos menos, o pior crescimento da nossa história, ficamos entre 5% e 8%”, contextualiza Scandian.

Produção Industrial – Variação (%)
Mês Fabricação de móveis em geral* Fabricação de móveis com predominância de madeira*
janeiro 2018 11,3 13,4
janeiro 2019 -2,2 -3,5
janeiro 2020 -1,9 -1,3
janeiro 2021 7,8 12,7
janeiro 2022 -36,3 -32,9
janeiro 2023 9,1 8,4
janeiro 2024 0,8 0,6
janeiro 2025 8,6 9,6
janeiro 2026 -6,9 -7,8
*Variação acumuala no ano, em relação ao mesmo período do ano anterior
Fonte: PIB-PF / IBGE

Logística como motor de crescimento 

Para sustentar o ritmo de expansão atual, a MadeiraMadeira tem focado fortemente na sua malha de entregas. A empresa movimenta 30 mil toneladas de móveis por mês, o equivalente a mais de 40 mil guarda-roupas, segundo Scandian.

A BulkyLog, operadora logística criada pela companhia em 2019, alcançou uma taxa de pontualidade de 94,9% nas entregas entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, superando o índice médio de 81,1% do mercado.

Para dar conta do volume projetado para os próximos anos, a MadeiraMadeira expandiu sua área logística em 40%, devendo alcançar 150 mil metros quadrados de área de cross-docking em 2026. O plano inclui a abertura de sete novos centros de distribuição até o fim de 2026.

A expansão tem forte olhar para o Nordeste: Salvador foi escolhida recentemente como o primeiro hub para abastecer outros estados da região, reduzindo custos e prazos de entrega.

Lojas físicas e a aposta nos modulados 

Embora o online seja sua fortaleza, a MadeiraMadeira sabe que o varejo físico ainda domina o faturamento do setor. Por isso, a empresa ampliará a abertura de lojas físicas (guide shops), que funcionam como vitrines interativas para fortalecer a experiência de compra em diversos canais (online e offline).

Em março de 2026, será inaugurada a primeira unidade focada em projetos modulares e marcas próprias (private label, como a Madeira Originals, que cresceu 25% em receita).

A aposta nos móveis modulares ataca uma dupla demanda do consumidor: preço e tempo. O mobiliário modular custa cerca de um terço do valor de uma marcenaria planejada convencional. Em São Paulo, o prazo de entrega da companhia varia de 10 a 15 dias úteis — um terço do tempo exigido pelo mercado tradicional, que leva de 45 a 120 dias. 

A solução tem tido alto sucesso em apartamentos compactos, como studios e lofts, atraindo até mesmo investidores imobiliários, explica o CEO.

Serviços e o ponto de inflexão 

O ecossistema da marca também avança para o pós-venda. A unidade de serviços para casa — que oferece montagem, desmontagem, impermeabilização e limpeza — teve alta de 29% na receita bruta anual. A projeção para 2026 é realizar 320 mil prestações de serviços, um salto de 53%.

Prestes a completar 17 anos, a MadeiraMadeira avalia que a tempestade passou e deixou a fundação mais sólida. “Atingimos a fase adulta. É uma empresa madura, que tem processo, gestão e uma cultura forte”, avalia Daniel Scandian. Segundo ele, a companhia vive um claro ponto de inflexão: alcançou a lucratividade consistente, mas com o fôlego e a inovação dos tempos de startup.

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