Pular para o conteúdo principal

Papel ou tijolo? Onde e como investir em FIIs após alta da Selic

O mercado de fundos imobiliários acumulou alta de cerca de 24% entre maio de 2023 e abril deste ano com a tendência de queda da Selic. Depois deste intervalo, o mercado começou a ponderar a mudança da trajetória da taxa e os FIIs devolveram parte dos ganhos e passaram a andar de lado. Agora, com o início do ciclo de alta dos juros, o que esperar desta classe de ativos?

“Com certeza [a elevação da Selic] influencia bastante do mercado de FIIs, que tem uma correlação muito alta com o comportamento dos juros”, confirma Larissa Nappo, analista de fundos imobiliários do Itaú BBA. “Qualquer oscilação na curva longa de juros, por exemplo, acaba influenciando principalmente a cotação dos FIIs”, complementa.

Isso porque a elevação dos juros torna a renda fixa mais rentável e estimula a migração dos investidores de produtos de renda variável – como os FIIs – para a modalidade, que oferece menor risco. O movimento tende a derrubar as cotações dos ativos mais arriscados, que perdem valor de mercado.

“Eu sei que o IPCA+ 6,20% do Tesouro Direto é muito atrativo e vai dragar dinheiro dos fundos imobiliários, mas não podemos desconsiderar que uma carteira de FIIs com risco baixo ou médio dá ao investidor hoje, implicitamente, alguma coisa entre inflação mais 8% ou 9%”, diz Marcos Baroni, head de pesquisas em fundos imobiliários da Suno, que considera para o cálculo o prazo médio do portfólio das carteiras.

Ele reconhece que o potencial dos FIIs pode não estar tão explícito para todos os investidores atualmente – o que acaba gerando oportunidades. “Muitos vendem, mas muitos também estão comprando”, lembra.

Segundo Professor Baroni, é nestas horas em que não parece fazer sentido investir em fundos imobiliários que o investidor tem a oportunidade de acumular rentabilidade – comprando bons ativos depreciados que pagam rendimentos relevantes.

“Dói enxergar o patrimônio andando de lado e até caindo, mas eu prefiro dizer que isso é uma espécie de mola comprimida”, compara. “Em algum momento esta mola comprimida se solta, vamos tirar o grito da garganta e começar a lamentar que não temos mais oportunidades de compra como as atuais”, observa.

Leia também

FIIs de “tijolo” ou FIIs de “papel”?

Apesar de a taxa de juros no Brasil já ser elevada, novos aumentos tendem a restringir projetos imobiliários, que se tornam menos viáveis devido ao alto custo de capital, explica Artur Carneiro, sócio fundador da Éxes

“Em contrapartida, o cenário se mostra ainda mais favorável para investidores de FIIs de ‘papel’”, diz o gestor, que se refere aos fundos que investem em títulos de renda fixa atrelados a índices de inflação ou mesmo à taxa do CDI – que acompanha os movimentos da Selic. “Com juros elevados e a isenção de impostos [dos rendimentos], essa classe de investimento se torna cada vez mais atraente em comparação a outras opções disponíveis no mercado”, afirma.

Embora em um cenário mais desafiador, Larissa, do Itaú BBA, não descarta os FIIs de “tijolo” – aqueles que investem diretamente em imóveis. Do ponto de vista operacional, a analista não vê, por enquanto, impacto nas operações destes fundos.

“Não temos visto pressão na taxa de vacância de galpões logísticos ou shoppings, que estão aí gerando receitas”, pontua. “Escritórios estão para trás na recuperação, mas, mesmo assim, algumas praças também já mostram algum tipo de retomada”, detalha.

Nos últimos 12 meses, 56 dos 115 principais fundos imobiliários do mercado apresentaram dividend yield (taxa de retorno com dividendos) acima de 10,65%, percentual da taxa do CDI após a elevação da Selic – e referência para as aplicações de renda fixa.

Leia também:

The post Papel ou tijolo? Onde e como investir em FIIs após alta da Selic appeared first on InfoMoney.



source https://www.infomoney.com.br/onde-investir/papel-ou-tijolo-onde-e-como-investir-em-fiis-apos-alta-da-selic/

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Após fim do EMBI+, novo indicador desponta como alternativa para medir risco

Qual o melhor termômetro para medir a volatilidade e os riscos de investir no Brasil (e em outros países)? Um bom caminho usado até meados do mês de 2024 era o Embi+, calculado pelo JPMorgan. Esta era a sigla para Emerging Markets Bond Index Plus, que significa Índice de Títulos de Mercados Emergentes Mais, basicamente medindo o desempenho de títulos públicos de economias emergentes. O índice auxiliava os investidores na compreensão do risco de investir em determinado país. Quanto mais alto fosse, maior seria o risco. A unidade de medida usada era ponto-base, trazendo a diferença entre a taxa de retorno dos títulos de países emergentes e a oferecida por títulos emitidos pelo Tesouro americano. A diferença constituía o spread, sendo essencialmente o Country Risk Premium, ou o Prêmio de Risco País. Contudo, o índice foi descontinuado em julho de 2024, fazendo com que o mercado perdesse uma boa referência sobre investimentos nos países emergentes. Uma alternativa a ser pensada num pr...

Dow Jones Futuro cai com temor de recessão e expectativa por decisão de juros nos EUA

Dow Jones Futuro recua com temor de recessão e expectativa por decisão de juros nos EUA Os índices futuros dos EUA operam em baixa nesta segunda-feira (17), com investidores à espera da decisão do Federal Open Market Committee (FOMC), que se reúne nesta semana. A expectativa é de que o Federal Reserve (Fed) mantenha a taxa de juros no intervalo atual, entre 4,25% e 4,50%. No entanto, o mercado já precifica um possível início do ciclo de cortes a partir da reunião de 18 de junho. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, há uma probabilidade de 57,7% para um corte de 25 pontos-base nessa data, com projeção de pelo menos mais um ajuste da mesma magnitude até o fim do ano. Também pesa sobre o mercado o comentário feito pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent , no domingo sobre não haver “nenhuma garantia” de que a maior economia do mundo evitará a recessão, apenas uma semana após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter se recusado a descartar uma possibilidade. Estados Un...

Nova tabela progressiva do IR atualiza faixa de isenção da PLR; veja o que muda

Com a atualização da base da tabela progressiva para o Imposto de Renda, a Receita Federal também ajustou a tributação para quem ganha a Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) das empresas. Em fevereiro, o governo federal aumentou a primeira faixa da tabela progressiva do IR para o ano que vem, que subiu dos atuais R$ 2.640 para R$ 2.824 — o dobro do salário-mínimo em vigor em 2024 (R$ 1.412). Depois, através de uma instrução normativa, atualizou também a primeira faixa da tabela para PLRs. A mudança está válida desde fevereiro deste ano e passa a impactar os valores informados na declaração de IR 2025. A PLR é um valor pago de “bônus” aos profissionais e fica retida na fonte, ou seja, é tributada antes de cair na conta do beneficiado. A faixa de isenção atual da PLR é de R$ 7.404,11 e passará a ser de R$ 7.640,80. As outras faixas de tributação permanecem iguais. Veja a tabela válida para o IR 2025: Valor do PLR anual (em R$) Alíquota (%) Parcela a Deduzir do impos...