Novo CEO do Fortaleza começa ano com desafio de reduzir folha em mais da metade

Redação

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Pedro Martins, novo CEO do Fortaleza - Mateus Lotif/Divulgação

O Fortaleza iniciou a temporada de 2026 com uma mudança relevante em sua estrutura administrativa. Em janeiro, Pedro Martins foi apresentado como novo CEO do Fortaleza EC SAF, assumindo o cargo deixado por Marcelo Paz, que deixou o clube após ser contratado pelo Corinthians. A troca marca o início de um novo ciclo, diretamente ligado à necessidade de adequação financeira e reorganização esportiva para a disputa da Série B.

A escolha de Pedro Martins pelo Conselho de Administração da SAF foi tratada internamente como uma opção de continuidade institucional, ainda que em um cenário bem diferente do vivido nos últimos anos. O principal desafio colocado à nova gestão foi a redução de custos, especialmente no departamento de futebol, após um período de investimentos mais elevados que não se sustentaram com o rebaixamento do clube.

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A folha salarial mensal, estimada anteriormente em cerca de R$ 12 milhões, passou a ser alvo de um processo de enxugamento que busca levá la a um patamar próximo de R$ 5 milhões. Para isso, o clube iniciou uma reformulação profunda do elenco. Dos quase 40 atletas vinculados ao grupo principal, 15 já deixaram o Pici, em um movimento considerado necessário para adequar despesas à realidade da Série B.

Mesmo com previsão de receitas futuras por meio da venda de ativos, a estratégia adotada priorizou ajustes imediatos. Rescisões contratuais, renegociações e transferências passaram a ser tratadas como prioridades. A principal negociação concretizada até agora foi a venda de Breno Lopes ao Coritiba por R$ 15 milhões. Desse valor, R$ 7,5 milhões ficaram com o Fortaleza, conforme a divisão dos direitos econômicos. Outras saídas seguem em negociação, como a do atacante argentino José Herrera, além de atletas com alto custo e pouca utilização.

Paralelamente à redução da folha, o clube iniciou a recomposição do elenco com um perfil mais jovem e financeiramente viável. Quatro reforços já foram anunciados, todos com média de idade de 23 anos. A ideia é montar um grupo competitivo, mas alinhado à realidade orçamentária e ao contexto da Série B, sem repetir o modelo de contratações que marcou temporadas anteriores.

Em um mercado mais restrito, o Fortaleza tem buscado alternativas que combinem economia e reposição técnica. Um exemplo foi o empréstimo do volante Matheus Pereira ao Corinthians. O acordo envolveu compensação financeira, pagamento integral dos salários pelo clube paulista e a chegada de Ryan, atleta mais jovem e de menor custo, para a mesma posição.

Além das mudanças no elenco, a nova gestão promoveu alterações na estrutura interna do futebol. O cargo tradicional de diretor de futebol foi substituído por um modelo dividido em quatro gerências, responsáveis pelas áreas técnica, mercado, planejamento e controle, e operações do futebol. A proposta é aumentar o controle dos processos e distribuir responsabilidades em um momento de reconstrução.

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O departamento de scouting passou a ter papel central no planejamento esportivo. A ideia é retomar um modelo já utilizado pelo clube em outros ciclos, com foco na identificação de atletas jovens e pouco valorizados no mercado, capazes de gerar retorno esportivo e financeiro. Nomes como Hércules, Moisés, Ederson e Caio Alexandre são exemplos desse perfil que o Fortaleza busca voltar a explorar.

Formado em Administração de Empresas, Pedro Martins chega ao clube após passagens por Athletico Paranaense, Cruzeiro SAF, Botafogo SAF e Santos. Sua trajetória inclui experiências em contextos distintos, desde projetos de reconstrução até equipes com maior poder de investimento.

No Cruzeiro, participou do processo que resultou no acesso à Série A, enquanto no Botafogo integrou a estrutura administrativa durante um período de conquistas esportivas.

A chegada ao Fortaleza ocorre em um momento de transição, no qual o clube precisa conciliar ajustes financeiros, reconstrução do elenco e manutenção de uma identidade esportiva consolidada nos últimos anos. O processo de escolha do novo CEO foi conduzido pelo Conselho de Administração da SAF, presidido por Bruno Cals, que liderou as negociações após a saída de Marcelo Paz.

O ano de 2026 se desenha, portanto, como um período de readequação para o Fortaleza, com decisões que vão além dos resultados imediatos em campo e passam diretamente pela redefinição do modelo de gestão do clube.

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