Economia dos EUA já estava vulnerável antes mesmo da guerra com o Irã

Redação

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O crescimento econômico nos EUA foi mais fraco no fim de 2025 do que os dados inicialmente indicavam, e as pressões inflacionárias persistiram no início deste ano — um retrato preocupante de uma economia em terreno instável antes de a guerra com o Irã virar de cabeça para baixo os mercados de petróleo e financeiros.

Os preços ao consumidor aumentaram moderadamente em janeiro, mostrou na sexta-feira o indicador de inflação preferido do Federal Reserve. Economistas temem que os preços subam ainda mais nas próximas semanas. E o produto interno bruto, a principal medida de crescimento econômico, ajustada pela inflação, foi revisado para baixo, para um ritmo anual de 0,7% nos últimos três meses do ano.

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O índice de preços de gastos com consumo pessoal, o indicador de inflação preferido do Fed, registrou alta mensal de 0,3% no primeiro mês de 2026. Em comparação com o mesmo período do ano passado, os preços estavam 2,8% mais altos. A leitura de inflação do “núcleo”, que exclui os preços mais voláteis de alimentos e energia, ficou em 0,4% no mês e 3,1% em termos anuais. Isso está um ponto percentual acima da meta de 2% do Fed.

“Basicamente, isso mostra que a inflação ganhou força no início do ano”, disse Omair Sharif, fundador da empresa de pesquisa Inflation Insights, sobre os dados. “Todas os principais dados estão se movendo na direção errada.”

Registrados pouco antes do choque nos preços do petróleo provocado pela guerra com o Irã, os indicadores de preços oferecem um cenário preocupante para a inflação daqui para frente.

Depois de atingir um pico acima de 9% em termos anuais em 2022, a inflação arrefeceu em 2024, ficando pouco acima da meta de 2% do Fed. Desde 2025, porém, o quadro inflacionário piorou.

A inflação de bens, que vinha desacelerando havia anos, voltou a subir em várias categorias desde que o presidente Donald Trump anunciou tarifas no último outono. Algumas dessas tarifas foram derrubadas pela Suprema Corte.

Outras, porém, continuam em vigor e levaram as empresas a alternar entre absorver o aumento do custo das importações e repassar esses novos custos aos consumidores.

“As coisas não estão desmoronando”, disse Claudia Sahm, economista-chefe da New Century Advisors e ex-analista de projeções do Fed. “Mas acho que o consumo das famílias tem sido uma fonte de resiliência, e as coisas não estão tão fortes quanto estiveram nos últimos anos.”

Segundo analistas da Employ America, um grupo de pesquisa que acompanha dados de emprego e preços, as tarifas são um “culpado evidente” de parte do excesso de inflação, especialmente em vestuário e móveis.

Mas eles observam que a escassez decorrente do boom da inteligência artificial também está contribuindo para a alta dos preços. Acessórios de computador e equipamentos de tecnologia, por exemplo, vêm registrando aumentos de custos anormais em comparação com as médias dos últimos anos.

A inflação em serviços de saúde, uma parte importante da economia, também continua contribuindo para preços mais elevados. Esse índice de gastos com consumo pessoal divulgado na sexta-feira tem dados ligeiramente acima do índice de preços ao consumidor, mais citado comumente.

Essa divergência é em grande parte resultado do fato de que o CPI atribui um peso maior à inflação de moradia, e o ritmo de aumento dos aluguéis desacelerou junto com a economia como um todo.

De todo modo, é provável que ambas as medidas de inflação subam no próximo mês quando os efeitos inflacionários dos preços mais altos do petróleo forem sentidos. Passagens aéreas, preços da gasolina e custos de restaurantes devem ser afetados.

Apesar de todas as notícias preocupantes que pesam sobre o sentimento do consumidor e os mercados financeiros, os níveis de consumo em janeiro indicam que a economia está crescendo.

c.2026 The New York Times Company

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