Elon Musk descarta currículos para contratar sua equipe de chips e usa outro critério
Redação
Leva horas para algumas pessoas elaborarem um currículo e uma carta de apresentação, listando experiências passadas e conquistas em uma folha de papel — detalhes que o entrevistador provavelmente pedirá para você explicar pessoalmente de qualquer forma. Esse processo redundante e demorado levou muitos a abandonar esses materiais de carreira, e Elon Musk está liderando esse movimento.
O CEO da Tesla e da SpaceX agora está pedindo que qualquer pessoa que queira entrar para sua equipe de design do chip AI5 deixe de lado a carta de apresentação e o currículo tradicionais e, em vez disso, envie apenas três tópicos curtos.
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Em uma publicação no X, Musk disse que estava procurando candidatos para se juntar à Tesla, enquanto a empresa retoma os trabalhos no projeto do supercomputador de IA Dojo3. Para ser considerado, tudo o que o candidato precisa fazer é enviar “três tópicos sobre os problemas técnicos mais difíceis que você já resolveu”, escreveu Musk na publicação.
A iniciativa é característica do CEO que, durante sua passagem pelo comando do Departamento de Eficiência Governamental, emitiu uma diretriz pedindo que servidores públicos enviassem por e-mail cinco tópicos com realizações recentes, em meio a uma campanha de demissões em massa que levou ao desligamento de mais de 250 mil funcionários federais.
“A ausência de resposta será considerada como um pedido de demissão”, escreveu Musk em uma publicação no X em fevereiro do ano passado. Musk também levou essa tática para o X (antigo Twitter) quando assumiu o cargo de CEO da plataforma de mídia social.
Musk também costuma preferir conversas a credenciais. Em uma entrevista recente com o cofundador da Stripe, John Collison, e com o podcaster de tecnologia Dwarkesh Patel, durante um episódio conjunto de seus podcasts, o CEO de tecnologia afirmou: “O currículo pode parecer muito impressionante. Mas, se depois de 20 minutos de conversa a reação não for ‘Uau’, você deve acreditar na conversa, não no papel”.
Embora o currículo ainda seja exigido para a maioria das outras vagas na Tesla nos EUA — com algumas posições inclusive pedindo uma declaração de “evidência de excelência” —, o pedido pouco convencional de Musk acompanha uma tendência crescente de contratações baseadas em habilidades.
Quase três quartos das empresas estão usando avaliações de habilidades durante o processo de contratação, segundo um relatório da plataforma de avaliação de competências TestGorilla, intitulado The State of Skills-Based Hiring 2023.
Com uma pesquisa que ouviu 3.000 funcionários e empregadores ao redor do mundo, os resultados mostraram um salto acentuado em relação ao ano anterior, quando apenas 56% das empresas utilizavam avaliações baseadas em habilidades.
A IA está democratizando o processo de contratação
A IA jogou ainda mais lenha nessa tendência. Segundo especialistas em recrutamento, a tecnologia teve um efeito democratizante no processo de candidatura.
Com ela, todos os currículos e cartas de apresentação acabam ficando iguais, criando um pesadelo para recrutadores, que passam a enfatizar outras etapas do processo seletivo para diferenciar os candidatos.
“A IA está matando o currículo, e o currículo já era ruim havia muito tempo, mas a IA torna isso muito pior”, disse o especialista em recrutamento John Sullivan, apelidado pela Fast Company de “Michael Jordan das contratações”, em entrevista à Fortune.
“Quando todo currículo é perfeito, sem erros de ortografia ou falhas de qualquer tipo, imagine quantos você precisa analisar para decidir quem vai entrevistar.”
Sullivan afirmou que a IA permite que os candidatos aperfeiçoem seus currículos, adicionando palavras-chave que burlam os sistemas de triagem automática (ATS) e corrigindo erros de ortografia e gramática que, de outra forma, costumam desclassificar candidatos.
Sullivan disse que o currículo já está obsoleto há bastante tempo, especialmente quando se trata de encontrar os melhores talentos. “Não há nenhuma correlação entre ter um ótimo currículo e ser bom no trabalho”, afirmou.
Com base em sua experiência em recrutamento, incluindo passagens por empresas como a Agilent Technologies e a HP, ele disse que, na prática, os melhores funcionários muitas vezes eram justamente os que tinham os piores currículos.
“Profissionais de altíssimo nível costumam estar tão ocupados executando trabalhos complexos que não têm tempo nem necessidade de procurar emprego ou atualizar seus materiais de carreira”, disse Sullivan.
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