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Empresas investem em educação para resolver falta de mão de obra no campo da IA

Foto montada com IA centralizada em azul clara; fundo azul escuro

O boom da inteligência artificial está agravando um problema crônico no mercado brasileiro: a demanda por profissionais de tecnologia. Uma pesquisa da Microsoft (MSFT34) aponta que a procura por profissionais que desenvolveram habilidades neste campo mais do que quadruplicou nos últimos oito anos.

O relatório da Microsoft abrange respostas de 31 mil profissionais de 31 países. Os trabalhadores foram questionados sobre os avanços da inteligência artificial. Mais da metade dos executivos em posições de liderança expressou preocupação com a falta de talentos para preencher vagas que ainda serão abertas no futuro.

A falta de talentos em tecnologia é um problema enfrentado há anos no Brasil. Uma pesquisa da Brasscom, feita em 2021, apontou que haveria um déficit de 106 mil profissionais por ano para preencher vagas de tecnologia no país até 2025. Com o avanço da IA, a situação tende a piorar.

Isso não significa apenas que as empresas não conseguirão contratar talentos. Os profissionais de tecnologia sem conhecimentos avançados nesta área também podem ser impactados. O relatório da Microsoft indica que 58% dos líderes brasileiros descartam profissionais sem habilidades em inteligência artificial.

Resolver esse problema passa por investimentos em educação. No fim de julho, o Ministério da Educação anunciou que vai investir até R$ 817 milhões em ações educacionais como parte do primeiro Plano Brasileiro de Inteligência Artificial. O projeto envolve iniciativas relacionadas à criação de cursos e disciplinas na graduação, bolsas de pós-graduação, fomento à pesquisa e ao desenvolvimento, entre outras ações.

Para quem busca um aprendizado mais completo em IA, uma boa opção pode ser buscar um curso de pós-graduação. A Faculdade XP, por exemplo, oferece um programa de 12 meses de pós-graduação chamado “Ciência de Dados para o Mercado Financeiro com IA”.

O curso tem aulas ao vivo, gravadas e encontros presenciais, ministradas por professores que atuam em grandes empresas e vivenciam a IA diariamente, além de videocasts com experts de empresas como Google e Microsoft, uma biblioteca gratuita com 7.000 artigos sobre IA e certificação Lato sensu chancelada pelo Ministério da Educação.

Para Diego França, CTO e head de produtos da XP Educação, “a inteligência artificial traz uma transformação estrutural em todos os setores”. O executivo afirma que a maior necessidade atual não está no desenvolvimento de novas tecnologias, mas na formação dos profissionais que vão aplicá-las.

“O desafio é formar esses profissionais com a expertise necessária para usar a tecnologia de forma estratégica e eficiente no dia a dia das empresas”, afirma França. “A resposta para essa lacuna observada atualmente está em uma educação prática e direcionada.”

Iniciativas privadas também estão surgindo nos últimos meses. Empresas como Amazon (AMZO34), Vivo e Santander (SANB11) já firmaram parcerias para despertar a curiosidade de profissionais para temas ligados à inteligência artificial por meio de cursos de curta duração.

Com inscrições abertas até o fim do ano, o curso “Inteligência Artificial e Produtividade” do Santander foi criado em parceria com o Google (GOGL34) e permite que os alunos acompanhem as aulas online em três idiomas: português, inglês e espanhol. O workshop é voltado para qualquer pessoa maior de 16 anos e tem duração de duas horas.

A Vivo, por sua vez, apostou no desenvolvimento de profissionais por meio de uma parceria com a Dio, uma escola de educação e recrutamento de profissionais. Juntas, elas criaram um curso de 67 horas de duração voltado para estudantes universitários de qualquer curso.

A operadora de telefonia ofereceu 10 mil bolsas para universitários de todo o Brasil nos cursos que são voltados para o aprofundamento de conhecimentos em programação backend com Python e fundamentos de IA para desenvolvedores de software. As inscrições já foram encerradas.

A Dio também está envolvida em uma iniciativa da Amazon para fornecer 40 mil bolsas de estudo em tecnologia para o programa Talento na Nuvem. O objetivo é capacitar 100 mil pessoas até 2025. O programa será realizado no Brasil e no Peru.

Salários em alta

Se a motivação de manter o emprego não for suficiente, talvez a promessa de salários mais altos anime os profissionais da área. Segundo a consultoria Michael Page, os salários para alguns cargos relacionados à IA podem variar entre R$ 15 mil e R$ 32 mil.

“Esses salários altos, que devem continuar crescendo, se justificam pelo impacto estratégico que a tecnologia está gerando nas empresas”, diz Mario Maffei, gerente da consultoria de recursos humanos Michael Page. “Há uma demanda crescente por profissionais em diversos setores, não apenas em tecnologia, mas também no varejo, saúde, transporte, entre outros.”

Segundo a companhia, um especialista em cibersegurança que saiba utilizar a tecnologia, por exemplo, custa entre R$ 18 mil e R$ 24 mil para as empresas. Essa faixa salarial é semelhante à recebida por engenheiros de automação inteligente e machine learning. Já um cientista de dados está sendo buscado com vencimentos entre R$ 15 mil e R$ 21 mil.

 

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