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Carnaval 2025: como se proteger de viroses durante a folia?

Com a chegada do Carnaval, milhões de foliões se preparam para dias de festa, blocos lotados e muita diversão. No entanto, o período também traz um alerta importante: o aumento no risco de viroses, especialmente as gastrointestinais, que podem transformar a alegria em desconforto. 

O calor intenso, a aglomeração de pessoas e a falta de cuidados com a higiene favorecem a disseminação dessas doenças, que se espalham com facilidade em meio às multidões e pelo consumo de alimentos e bebidas contaminados.

Além disso, o aumento no fluxo de turistas em cidades litorâneas pode sobrecarregar os sistemas de saneamento, resultando em contaminação de águas e alimentos. Por isso, adotar medidas preventivas é essencial para garantir uma folia segura e saudável.

As principais viroses que circulam durante o verão e, consequentemente, no Carnaval, são transmitidas por via fecal-oral. Isso acontece quando a pessoa consome água ou alimentos contaminados por vírus presentes em fezes de indivíduos infectados. 

“Essas infecções geralmente provocam quadros gastrointestinais, com sintomas como náuseas, vômitos e diarreia”, alerta Carolina Lázari, infectologista e patologista clínica da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML).

Por que casos de virose aumentam nessa época?

O risco de viroses aumenta em cidades que recebem grande número de turistas no Carnaval, especialmente no litoral ou para outras cidades que têm cursos d’água e cachoeiras. 

Se a cidade não tiver saneamento reforçado para essas ocasiões, pode não dar conta da superlotação. Isso pode levar a transbordamentos e contaminação de rios, cachoeiras e até do mar.

“Pode haver contaminação das águas do mar ou desses cursos d’água de uma maneira que, quando as pessoas entrarem em contato, elas podem se infectar ingerindo pequenas gotículas dessas águas e, consequentemente, também, essas águas contaminadas podem levar à contaminação de alimentos preparados com elas, que também podem ser fontes dessas infecções”

— Carolina Lázari, infectologista e patologista clínica da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML)

Cuidados de Carnaval

Nos blocos de Carnaval, é comum que os foliões acabem consumindo água ou alimentos de qualquer lugar no bloco, o que aumenta os riscos de entrar em contato com uma água ou um alimento contaminado. De acordo com Carolina, isso pode ocorrer de algumas formas.

Os hábitos mais relacionados a essas contaminações são o consumo de água e de alimentos de origem imprópria e com manipulação inadequada, segundo a infectologista.

A grande recomendação é que os foliões estejam atentos às condições de higiene dos alimentos e bebidas, especialmente aqueles comprados em ambulantes e barracas.

Também vale frisar que o consumo de bebidas precisa ter a atenção redobrada. A infectologista destaca que o gelo usado em drinks, por exemplo, pode ser feito com água que não é filtrada – o que eleva a chance de transmissão do vírus. 

“Pode ser que a origem da água desse gelo não seja uma água tratada, sem condições adequadas, ou então, alimentos manipulados por pessoas que estavam infectadas e, portanto, têm contaminação nas mãos ou manipulados de forma inadequada e acabam sofrendo a contaminação”

— Carolina Lázari, infectologista e patologista clínica da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML)

“Nos ambulantes, aquelas bebidas que ficam imersas em gelo, que depois derrete e fica imersa em uma água dentro do isopor, têm uma chance de contaminação muito grande”, explicou.

Ela explica que o ideal é consumir bebidas enlatadas ou engarrafadas e, sempre que possível, limpar a lata antes de beber ou transferir o líquido para um copo limpo.

A médica também reforça a importância da higiene pessoal. Ela ainda recomenda a utilização do álcool em gel, que é uma das melhores formas de evitar a contaminação.

“O mais importante é manter as mãos sempre limpas, lavando com água e sabão ou usando álcool em gel quando não for possível”, orientou.

Como reconhecer os primeiros sinais e agir rapidamente

Os principais sintomas da virose não são nenhum mistério: vômitos, diarreia, febre e mal-estar geral, que podem surgir de forma repentina. A parte mais complicada a partir disso, independente da gravidade da doença, é a desidratação.

A desidratação é uma das principais complicações, principalmente em meio ao calor intenso e durante longos períodos de exposição ao sol. 

A médica também ressalta que a recuperação costuma ocorrer em quatro a cinco dias, mas pode ser mais demorada em crianças e idosos. Algumas infecções, como as causadas pelo rotavírus, deixam o intestino mais sensível, dificultando a absorção de certos alimentos. 

“Durante a recuperação, a hidratação é essencial, com água filtrada, isotônicos ou soro de reidratação oral”, explicou Carolina.

Idealmente, a alimentação deve ser leve, “evitando alimentos gordurosos, ricos em açúcar ou muito condimentados, o ideal é consumir alimentos leves, como arroz, batata e frango, evitando gorduras, alimentos ricos em açúcar e muita fibra, como folhas cruas, que podem piorar a diarreia”.

Leia também: Carnaval 2025: como curtir a folia sem descuidar da saúde

Uso de medicamentos: o que é seguro?

Carolina reforça que, independentemente da situação, a automedicação não é recomendada. Porém, mas em casos leves alguns medicamentos podem ajudar a aliviar os sintomas. 

Para náuseas e vômitos, podem ser usados antieméticos – medicamentos específicos para enjoo e vômitos –, desde que já sejam familiares ao paciente. Para febre e dor, analgésicos como paracetamol ou dipirona são as melhores opções.

A médica não indica remédios para interromper a diarreia. “É importante que as toxinas sejam eliminadas, então não costumamos prescrever medicamentos para bloquear a diarreia”, explica Carolina.

Ela destaca que o mais importante é a hidratação via oral. “Se os sintomas forem muito intensos e a pessoa não conseguir se hidratar, é fundamental buscar atendimento médico, pois pode ser necessário realizar uma hidratação intravenosa”, afirma Carolina.

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